1.Existem pessoas que sentem necessidade de transar com mais frequência, às vezes até de maneira exagerada? (Em caso positivo) Por que isso acontece?
 
Sim. Temos que diferenciar pessoas que gostam muito de sexo e pessoas que possuem uma dependência por sexo. O termo “exagerado” não indica nada, pois o que é exagerado para um pode não ser para outro. Para o dependente o ato de fazer sexo, muitas vezes, não tem como objetivo a busca do prazer e sim o alívio de ansiedade.
 
2.Esse comportamento apresenta algum risco para a pessoa (afugentar um parceiro, por exemplo)? Por quê?
 
O comportamento do compulsivo sexual pode apresentar risco para o indivíduo quando a atividade sexual torna-se autodestrutiva, quando o ritual ameaça a rotina da pessoa, o emprego, o convívio social. A atividade compulsiva pode gerar muita culpa na pessoa, pois, não raro, ela já tentou controlar/parar a compulsão sem obter sucesso e o sentimento é de fracasso devido a constantes recaídas.
 
3.Existe um limite considerado saudável quando o assunto é o número de vezes que a pessoa transa por dia? Qual? Por quê?
 
Não existe nenhum limite considerável saudável quando se trata de frequência sexual, pois a vivência da sexualidade é subjetiva e singular. Mais importante do que uma normatização da vivência sexual alheia é o respeito por si mesmo e pelo outro, e o melhor termômetro que se tem para isso é estar atento aos sentimentos que permeiam cada atividade sexual. Sexo tem que mobilizar prazer e bem-estar.
 
4.Ter uma vida sexualmente ativa é importante/fundamental para manter um relacionamento? Por quê?
 
Ter uma vida sexualmente ativa é fundamental para se manter bem e não para se manter um relacionamento. Esta ideia de que é preciso transar para manter uma relação reforça uma atitude disfuncional do casal que é transar mesmo sem desejo, transar por obrigação e não por prazer.
 
5.Por outro lado, qual a importância da pessoa respeitar a própria vontade e saber dizer não ao parceiro quando não está a fim de transar? Por quê?
 
É muito importante saber dizer não quando não se quer transar. Obrigar-se à transar pode fazer com que o desejo diminua mais ainda.
 
6.Para quem não consegue dizer não ao parceiro na hora do sexo, como aprender a impor a própria vontade?
 
Não deve ser uma imposição, deve ser uma conversa, uma negociação, uma questão que deve ser tratada com delicadeza e respeito.
 
7.Existem pessoas que não gostam de transar? (Em caso positivo) Quais motivos podem estar por trás dessa preferência (baixa autoestima, crise pessoal, crise no relacionamento, timidez etc.)?
 
Sim. Pode não ter motivo nenhum e simplesmente a pessoa não gostar (e não há nada de errado com isso), ou, pode ser apenas um período, ou, pode haver algum trauma sexual que mobilizou uma recusa ao prazer, ou, pode ser autoestima baixa, ou, pode ser dificuldade em entrar em contato com fantasias sexuais perturbadoras, ou, crise no relacionamento, enfim… pode ser por diversos motivos a serem analisados individualmente.